quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Centro de São Paulo

Estou as margens do rio Anhangabaú  sentindo a brisa passar pelos meus dedos como areias  que abraçam as ondas do mar.
Aqui podemos degustar chás e tocar nas flores, ao lado de nascentes onde passam bichos e gentes, meus devaneios são incontroláveis, quando vejo voltei dez décadas, e com um sopro quente retorno ao presente.
Sou apaixonada por ação, seja da palavra,  do movimento propriamente dito,  acho que  sinônimo de humano deveria ser multiplicação,  não descendentes,  não somente do pão, mas literalmente de mãos.
Mãos que se entrelaçam,
Mãos que disfarçam,
Mãos que se beijam
Mãos que transpiram
Mãos que dançam
Mãos que plantam
Mãos que colhem

Mas este é outro devaneio  que cultivo dentro do meu anseio.
Quando caminho pelas veredas da pauliceia vejo tantas arvores, cavalos, bondinhos e até passarinhos
que sobrevoam    nesses lenções cinzas que cobrem as nascentes  que quase ninguém é consciente.

 À floresta que outrora era palco  de  chás e barquinhos, cidade que acolheu tantas  liberdades esta quase perdida no templo de vaidades. São homens que constroem e cegos que  destroem.

Pior que desfazer da fazenda de chá, é destruir toda memoria que passa aqui e acolá.
Sinto  uma alegria solitária ao passear pelo bairro  Bela Vista, vejo tantas paisagens, mercadores, passageiros, feirantes  e vendedores de sonhos ambulantes .

Fico perguntando ao sol, o que será que aconteceu com o rio? pois  sinto suas veias pulsarem em meus pés, os índios diziam que a palavra Anhangabaú significava espíritos do mal, hora veja,  será que meus dedos tremem por sentir  esta  vibração? caminhando mais um pouco encontro uma arvore ao lado da água  encanada,  observar  espíritos que ali vagavam e ainda estão ali de um lado para outro sem destino ou prosa, eles ficam a esmo do tempo sem ponteiro, talvez um calendário inventado para justificar olhares parados.
-Viver sem   historia  é  sucumbir a própria memoria.

Nicah Gomes

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